O segredo para mais produtividade é trabalhar menos?

PorJoão Carlos Pinto Correia

O segredo para mais produtividade é trabalhar menos?

Pode parecer um contrassenso mas será que pode haver mais produtividade quando se trabalha menos?

Um dos grandes problemas de Portugal respeita à questão da produtividade. De acordo com o PORDATA, em 2016 em Portugal, existia um rácio de 26,7 de produtividade real do trabalho por cada hora trabalhada. No topo da estatística, da Europa a 28, está o Luxemburgo com um rácio de 71. A média da UE a 28 é de 39,1.

Todos nós ficamos impressionados com as estatísticas principalmente quando o trabalho suplementar não é uma coisa tão rara… Então e se a chave para a produtividade estiver, precisamente, no oposto?

Clive Thompson referiu na revista Wired que, muitas das mais bem sucedidas figuras da história, trabalhavam apenas algumas horas por dia. Depois tiravam o resto do dia.

Por um lado, algumas pesquisas mostram que qualquer pessoa, para ser produtiva, se deve manter ocupada; mas por outro, há muitas figuras na história mundial que podemos ter como exemplo do contrário.

Os Exemplos

Gertrude Stein, uma das maiores poetisas de sempre dos Estados Unidos, muitas vezes escrevia apenas meia hora por dia. Charles Darwin normalmente trabalhava entre três a quatro horas durante a manhã. Durante o resto do dia Darwin respondia a cartas, fazia caminhadas e outras atividades de lazer. Max Planck, cientista que está na origem da física quântica, escrevia e dava aulas durante a manhã; as tardes reservava-as para caminhas e alpinismo.

Na entrevista que Thompson deu, cita ainda um estudo dos anos 50. Este estudo descobriu que, as pessoas mais produtivas entrevistadas para o estudo, trabalhavam apenas entre 10 a 20 horas por semana no escritório. Segundo eles, estamos a falar de pessoas com trabalhos muito exigentes mas a quem os horários que praticavam nos chocariam.

É muito provável que essas pessoas e estes exemplos não fossem produtivos pelos horários que praticavam mas por causa deles. Aliás, os cientistas daquele estudo descobriram que ter momentos de inatividade – por exemplo, através de uma caminhada – é vital para ter a mente preparada e desperta. Aliás, as caminhadas, não apenas aumentam a criatividade como melhoram a saúde mental. E de acordo com esta pesquisa, as pessoas tendem a ser mais criativas quando permitem que a mente possa divagar.

O poder da pausa e da caminhada

O que esta pesquisa também demonstrou é que, além das pausas e das caminhadas, até a própria pausa para se dedicar a outra tarefa, estimula a criatividade e a produtividade. Quem nunca, afinal, teve boas ideias durante um duche, à noite antes de dormir ou a andar de bicicleta? Nesses momentos é que o seu cérebro tem tempo para divagar…

Quando Charles Darwin parava o seu trabalho para dar passeios ou fazer uma sesta, a verdade é que ele simplesmente estava a criar espaço no seu cérebro para poder divagar e entender melhor sobre o que estava a fazer, trabalhar ou estudar.

As melhores empresas para trabalhar – que correspondem também às mais produtivas provavelmente – criam estes tempos de pausa para os trabalhadores.

Simples para Todos?

Se é trabalhador por conta de outrem, dificilmente terá a sorte de poder fazer estas pausas (a não ser que trabalhe numa empresa evoluída). Isto claro, mesmo que isso o ajudasse a compreender melhor o seu trabalho e trouxesse ganhos de produtividade substanciais.

Este é um dos aspetos que tem de começar a preocupar os empresários, pois esta é uma forma inegável de melhorar a produtividade. Obviamente que esta ideia não se pode aplicar, sem mais, a todos os sectores de igual forma. Todavia, subjetivamente, ela poderá ser aplicada.

Assim, pausas mais frequentes, significam maior produtividade dos trabalhadores. Isto tanto é verdade numa empresa que se dedica a programação como naqueloutra que se dedica à confeção têxtil.

É necessário que os empresários comecem a perceber o conceito de produtividade. Ele não está, necessariamente e nas mais das vezes, ligado ao número de horas trabalhadas. Antes é a intensidade e a inteligência de como esse trabalho é realizado que conta. É evidente que há mais forma de estimular a produtividade mas é preciso dar passos nesse sentido. Este é apenas um deles.

Imagem:Venveo

Sobre o autor

João Carlos Pinto Correia administrator

João Carlos Pinto Correia. Formador (CCP n.º F608236/2013), Advogado e Consultor de Empresas. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Pós-Graduado em Gestão Fiscal pelo Instituto Superior de Gestão e em Cibercriminalidade pelo Instituto CRIAP.

Deixar uma resposta

Gostou do Site? Por favor Partilhe!

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn