O futuro dos Bancos é “open”

PorJoão Carlos Pinto Correia

O futuro dos Bancos é “open”

Os Bancos têm de estar à frente em matéria de inovação tecnológica. Quem tomar a dianteira agora, vai colher os frutos!

Se para si, que trabalha num Banco ou tem ligações a este setor, conceitos como “Open Banking” ou API’s são conceitos desconhecidos, está na hora de começar a estudar. O impacto que a construção de novas plataformas de serviços financeiros está a ter, vai obrigar a um processo de planeamento estratégico do setor bancário.

Esta é, definitivamente, a temática que irá marcar a próxima década (ou os próximos anos) e não há muito por onde fugir da discussão e da tomada de decisão.

O advento das Fintech e as plataformas bancárias com API’s abertas veio alterar todo o ecossistema bancário. A banca tradicional, mesmo como a conhecemos nos nossos dias, vai ter de se adaptar em toda a sua cadeia. Estamos a falar nos produtos e serviços oferecidos, nos canais de distribuição utilizados e nas parcerias existentes. Estes fatores determinarão a inovação e a experiência dos clientes no futuro e, quem não agarra esse futuro, vai fenecer.

Há uns dias, um colega meu que vive em Shangai, referiu-me que os pedintes já têm um papel plastificado com o QR-Code do WeChat para receberem esmolas. Também me disse que, por aquelas bandas, já todos os pagamentos são com o telemóvel e ninguém anda com o cartão multibanco. Fui confirmar e é verdade!

Uma nova Era

A nova Era que se aproxima para os Bancos terá de se adaptar às expectativas dos clientes. Não serão os clientes a adaptar-se às instituições; elas é que se vão adaptar renovado estilo de vida dos clientes.

A hodierna realidade já demonstra que o sector bancário está a ficar para trás. Um exemplo simples e pequeno no nosso pequeno Portugal, é o papel da Fintech Raize e a forma como se está a substituir aos Bancos na concessão de crédito e na captação de investimento/”depósitos”.

Os modelos alicerçados em plataformas informáticas levarão a uma rápida digitalização do sector. Isto fará com que sejam obrigatoriamente reduzidos os custos fixos atuais e uma redução substancial em matéria de mão-de-obra (inadaptada?) necessária ao desenvolvimento da atividade.

Estas mudanças irão afetar os serviços prestados pelos Bancos em todas as áreas: back-office, front-office e, no fundo e, por outro lado, a própria relação com o consumidor. Negar isto é fugir à evidência.

Um recente relatório da Accenture, “A New Era: Open Platform Banking”, revela que as “Os negócios baseados em plataformas conectam produtores e utilizadores em trocas eficientes de valor. Essas trocas facilitam as interações nos lados da procura e da oferta, que amplificam os “efeitos de rede”.” [tradução nossa]

Um dos exemplos apontados neste relatório é o do StarlingBank. Talvez deva conferir o link, pesquisar um pouco e também perceber do que estamos a falar.

Não se fica por aqui

Há um outro relatório que deve estar presente e ser objeto de estudo pelos decision makers do sector bancário: “Platform Strategy & Open Business Models” elaborado pelo MIT.

Antes de mais, este estudo tem uma particularidade interessante… Permite-nos extrapolar  os cenários para, praticamente, todas as áreas de negócio e, certamente, deve ser equacionado noutros cenários empresariais.

Os Autores deste estudo abordam algumas estratégias:

Plataforma Proprietária (Um patrocinador e um provedor). As plataformas proprietárias usam API’s abertas para tornar os dados acessíveis aos desenvolvedores e oferecer produtos finalizados aos clientes.

Plataforma de Licenciamento (Um patrocinador com muitos fornecedores). Como exemplo, um patrocinador pode oferecer soluções bancárias de marca branca por meio de licenciamento com vários provedores.

Plataforma de Joint Venture (Múltiplos patrocinadores com um provedor). Neste cenário, vários patrocinadores colaboram para criar e controlar uma única interface. A Moven é um exemplo de uma plataforma de joint venture, onde vários bancos usam a mesma interface para o consumidor criada pela Moven.

Plataforma Compartilhada (múltiplos patrocinadores e múltiplos provedores). Este modelo ainda precisa aparecer no setor bancário. Caso diferente é o da indústria de alta tecnologia (por exemplo, Linux).

A dificuldade

A transposição de um Banco ou de uma Instituição Financeira para uma plataforma de API aberta não será fácil. Há muitas questões em cima da mesa, seja sob o ponto de vista legal, regulatório, etc.

Esta mudança será disruptiva e também altamente não tradicional em matéria de definição de serviços bancários. Será vista uma nova alocação de recursos humanos e novos requisitos nesta matéria… Talentos informáticos, pessoas com conhecimentos de Tecnologia e com visão de futuro serão privilegiados.

Nessa medida, os produtos atuais fornecidos pelos Bancos terão de ser alterados. Estes produtos terão de ser construídos para uma implantação completamente digital e, necessariamente, terão de ser identificadas novas soluções de mercado e onde se precisará de demonstrar aos clientes os benefícios.

Também as capacidades dos Bancos em matéria organizacional, funcional e técnica terão, também, de ser alteradas e substituídas.

Indubitavelmente, a forte e súbita mudança que terá de ser empreendida requer preparação e pensamento estratégico. Atendendo ao mercado e à atual situação,  já é tarde… Basta olhar para a dinâmica do mercado e ver as ameaças competitivas que já pairam pelo ar!

A questão que se coloca é a de saber se, em Portugal, haverá alguém a tomar a dianteira… Uma coisa é certa: quem estiver nessa posição é um candidato à vitória!

Imagem:Matthew Kwong

 

Sobre o autor

João Carlos Pinto Correia administrator

João Carlos Pinto Correia. Formador (CCP n.º F608236/2013), Advogado e Consultor de Empresas. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Pós-Graduado em Gestão Fiscal pelo Instituto Superior de Gestão e em Cibercriminalidade pelo Instituto CRIAP.

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